segunda-feira, agosto 16, 2010

O DIVINO PIMANDRO - HERMES TRISMEGISTUS

Para quem aprecia um bom livro, um bom estudo sobre a obra Doutrina Secreta aqui vai um presente que irá complementar um pouco mais seus estudos, principalmente no que diz respeito ao "nascimento simultâneo do homem em sete divisões do nosso Globo".Quando tomamos para leitura a obra  de H.P. Blavatsky - A Doutrina Secreta (Síntese da ciência, da religião e da filosofia) - Volume III - Antropogênese, passamos nossos olhos rapidamente nas Notas Preliminares sobre as Estâncias Arcaicas e os quatro continentes Pré-Históricos. Depois que terminamos a leitura da Obra, eu diria que é muito interessante uma retomada destas notas preliminares para que tenhamos uma melhor compreensão do que a autora (HPB) nos queria revelar.Bons Estudos!



Observações Preliminares

Sobre as Estâncias Arcaicas e os
Quatro Continentes Pré-Históricos




"Facies totius Universi, quamvis infinitis modis variet,
Manet tamen semper eadem." – Spinosa



As Estâncias deste Livro, o segundo, com seus comentários, foram extraídas dos mesmos registros arcaicos que as Estâncias sobre a Cosmogonia do Livro I. Damos uma tradução a mais literal possível; mas algumas das estâncias são demasiado obscuras para serem entendidas sem explicação. Por isso, como foi feito no Livro I, enquanto elas são apresentadas inteiramente como são, quando tomadas verso por verso com seus comentários, faz-se a tentativa de torná-las mais claras através das palavras adicionadas dentro de parênteses, antecipando a explicação completa dada no Comentário.
No que concerne à evolução da humanidade, a Doutrina Secreta postula três novas proposições que estão em contradição direta com a ciência moderna, bem como os dogmas religiosos correntes: ela ensina (a) a evolução simultânea de sete grupos humanos em sete diferentes partes do nosso globo; (b) o nascimento do corpo astral antes do corpo físico; o primeiro serve de modelo para o segundo; e (c) que o homem, nesta Ronda, precedeu a todos os mamíferos – inclusive os antropóides – do reino animal*.

* Ver o Gênesis, cap. II, v. 19. Adão é formado no versículo 7 e, no 19, se diz: "O Senhor Deus formou, da terra, todos os animais do campo e todas as aves do ar; e depois os apresentou a Adão para ver como os queria chamar." Assim o homem foi criado antes dos animais: pois os animais mencionados no capítulo I são os signos do Zodíaco e o homem "macho e fêmea" não é o homem, mas a Legião das Sephirot; Forças ou anjos "feitos à sua [de Deus] imagem e semelhança". O homem Adão não foi criado a essa semelhança, nem isso é dito na Bíblia. O segundo Adão é, do ponto de vista esotérico, um setenário que representa sete homens, ou melhor, sete grupos de homens. Porque o primeiro Adão – o Kadmon – é a síntese das dez Sephirot. Destas, a Trindade Superior permanece no mundo dos arquétipos como a futura "Trindade", enquanto que as sete Sephirot inferiores criam o mundo material manifestado; e este setenário é o segundo Adão. O Gênesis e os mistérios sobre os quais ele foi construído procedem do Egito. O "Deus" do primeiro capítulo do Gênesis é o Logos e o "Senhor Deus" do segundo capítulo são os Elohim – os poderes inferiores.
SD Vol II, p. 1



A Doutrina Secreta
A Doutrina Secreta não está sozinha quando fala de homens primordiais nascidos simultaneamente nas sete divisões do nosso Globo. No Divino Pimandro de Hermes Trimesgisto, encontramos os mesmos sete homens primordiais* que se desenvolvem da Natureza e do Homem Celeste, no sentido coletivo dessa palavra, ou seja, dos Espíritos Criadores; e nos fragmentos das Tábuas Caldaicas (reunidas por George Smith) nas quais foi inscrita a Lenda Babilônica da Criação, são mencionados, na primeira coluna da Tábua Cutha, Sete Seres humanos, com "caras de corvos" (de compleições negra e morena), Seres que "os (sete) grandes deuses criaram". Ou, conforme explicado nas linhas 16 e 18: "No meio da Terra eles cresceram e se fizeram grandes ..... Sete Reis, irmãos da mesma família". Estes são os Reis de Edom, a quem se refere a Cabala; a Primeira Raça, que era imperfeita, isto é, nascida antes que existisse o "equilíbrio" (os sexos) e que, portanto, foi destruída. (Zohar, Siphrah Dzeniouta, Idrash Suta, 2928, La Kabale, p. 205). "Apareceram sete Reis irmãos e tiveram filhos; sua linhagem consistia de 6.000 membros. (Hibbert Lectures, p. 372). O deus Nergas (a morte) os destruiu". "Como os destruiu? " "Pondo em equilíbrio os que ainda não existiam". (Siphrah Dzeniouta). Foram destruídos como raça ao se misturarem à sua própria progênie (por exudação); isto é, a raça sem sexo reencarnou na raça bissexual

* Assim disse Pimandro: "Este é o mistério até hoje oculto. A Natureza, ao fundir-se com o Homem Celeste [os Elohim ou Dhyânis], produziu uma maravilha . . . . Sete Homens, todos machos e fêmeas [Hermafroditas].... de acordo com a natureza dos sete Governadores – (Livro II, v. 29) – ou das sete Legiões de Pitris ou Elohim que o projetaram ou criaram. Isto está bem claro, mas no entanto, vejam as interpretações de nossos modernos teólogos, homens que se supõe inteligentes e instruídos. Em Theological and Philosophical Works or Hermes Trimegistus, Chirstian [?] Neoplatonist, obra compilada por John David Chambers, do Oriel College, Oxford, o tradutor se pergunta: "quem esses sete homens representarão?" e resolve o problema com a conclusão de que, "como o homem modelo original [o Adão Kadmon do primeiro capítulo do Gênesis] era masculino-feminino, os sete podem significar os patriarcas nomeados em seguida no Gênesis (p. 9) .... Uma maneira verdadeiramente teológica de cortar o nó górdio.
D S Vol II, p. 2



Os Kabiros nascidos de Lemnos
(potencialmente); esta última, nos andróginos; e estes, por sua vez, na Raça sexuada, ou seja, na Terceira Raça; (para mais explicações, veja abaixo). Se as tábuas estivessem menos danificadas, ver-se-ia que continham a narrativa, palavra por palavra, dos registros arcaicos e de Hermes, se não com relação aos menores detalhes, pelo menos quanto aos fatos fundamentais, já que Hermes foi bastante desfigurado pelas más traduções.
É bem verdade que o aparente supernaturalismo desses ensinamentos, embora alegórico, é tão diametralmente oposto à letra morta das declarações da Bíblia*, assim como as últimas hipóteses da ciência, que há de provocar refutações apaixonadas. Os ocultistas sabem, no entanto, que as tradições da Filosofia Esotérica devem ser as corretas, pela simples razão de serem as mais lógicas e resolverem todas as dificuldades. Além disso, temos o "Livro de Thoth" e o "Livro dos Mortos" dos egípcios, os Purânas dos hindus com os sete Manus, e as narrativas caldaica-assírias, em cujos ladrilhos se mencionam sete homens primitivos ou Adãos. Nome este cuja significação se pode averiguar por meio da Cabala. Os que conhecem algo dos mistérios da Samotrácia, lembrar-se-ão também de que os Cabiros tinham o nome genérico de "Fogos Santos", os quais criaram, em sete localidades da ilha de Electria (Samotrácia), o "Cabiro nascido da Lemnos Santa", (ilha consagrada a Vulcano).
Segundo Píndaro (Ver Philosophumena, edição de Miller, p. 98), este Karibo, cujo nome era Adamas, foi nas tradições de Lemnos, o tipo do homem primitivo nascido do seio da Terra. Ele foi o Arquétipo dos primeiros machos na ordem da geração e um dos sete antepassados autóctones ou progenitores da humanidade (ibid, p. 108). Se a isso associarmos o fato de que a Samotrácia foi colonizada pelos fenícios e, antes deles, pelos misteriosos Pelasgos que vieram do Oriente, e se recordarmos também a identidade dos deuses do "mistério" dos fenícios, caldeus e israelitas, será fácil descobrir a procedência da confusa história do Dilúvio de Noé. Tornou-se inegável que os judeus, que devem suas primeiras idéias da Criação a Moisés que, por sua vez, as recebeu dos
* Tendo em vista a certeza de que as Tábuas caldaicas, que dão a descrição alegórica da Criação, da Queda e do Dilúvio e até da lenda da Torre de Babel, foram escritas "antes do tempo de Moisés" (Chaldean Account of Genesis, de Smith), como se pode dizer que o Pentateuco é uma revelação? É simplesmente outra versão da mesma história.
D S vol II, p. 3



A Doutrina Secreta
egípcios, compilaram o seu Gênesis e suas primeiras tradições cosmogônicas quando estas foram recopiadas por Ezra e outros – dos relatos caldaico-acadianos. Basta, pois, examinar as inscrições cuneiformes babilônicas, assírias e outras para se encontrar também nelas, esparsas aqui e ali, não apenas o significado original do nome Adão, Admi ou Adami*, mas também a criação de sete Adãos ou raízes dos homens, nascidos fisicamente da Mãe terra e, espiritualmente ou astralmente, do fogo divino dos progenitores. Não é de se esperar que os assiriólogos, ignorantes dos ensinamentos esotéricos, prestassem ao misterioso número sete, constantemente repetido nos cilindros babilônicos, atenção maior que a que lhe dispensam ao encontrá-lo no Gênesis e na Bíblia. No entanto, os números dos Espíritos ancestrais e seus sete grupos de sua progênie humana estão lá nos cilindros, apesar da condição dilapidada dos fragmentos, como podem ser tão nitidamente encontrados no Pimandro e no Livro do Mistério Oculto da Cabala. Neste último, Adão Kadmon é a Árvore Sephirotal, como também é a "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal". Esta Árvore, diz o versículo 32, "tem ao seu redor sete colunas" ou palácios dos sete Anjos criadores, que operam nas Esferas dos sete Planetas no nosso globo. Assim como Adão Kadmon é um nome coletivo, também o é o nome do homem Adão. Diz George Smith em seu Chaldean Account of Genesis:
"A palavra Adão, usada nessas lendas para designar o primeiro ser humano, evidentemente não é um nome próprio, mas foi usada tão somente para significar a humanidade. Adão aparece como nome próprio no Gênesis, mas com toda certeza, em algumas passagens, o termo não é usado senão com o mesmo sentido da palavra assíria (p. 86).
Além disso, nem o dilúvio caldeu nem o da Bíblia (as histórias de Xisoutros e de Noé) estão baseados no Dilúvio universal ou mesmo, no Dilúvio Atlante, registrados na alegoria hindu de Vaivasvata Manu. São alegorias exotéricas baseadas nos mistérios esotéricos da Samotrácia. Se os antigos caldeus conheciam a verdade esotérica, oculta nas lendas dos Purânas, as outras nações só conheciam os mistérios da Samotrácia, que alegorizaram. Elas os adaptaram às suas noções astronômicas e antropológicas, ou melhor, fálicas. Sabe-se historicamente que a Samotrácia ficou célebre na antiguidade em virtude de um dilúvio que submergiu o país e alcançou o cume das mais altas montanhas; acontecimento que ocorreu antes da época dos Argonautas. Foi rapidamente inundada pelas águas do
* Ver Adam-Adami na Parte II deste volume.
D S Vol II, p. 4



Os Segredos de Kouyunjik
Euxine, que até então era considerado um lago*. Mas os israelitas tinham, além disso, outra tradição na qual basear a sua alegoria: o "dilúvio" que transformou, pela última vez, o atual deserto de Gobi em um mar, há mais ou menos 10 mil ou 12 mil anos e que levou um grande número de Noés a se refugiarem com suas famílias nas montanhas ao redor. Como somente agora foi reconstruída a história da Babilônia, graças às centenas de milhares de fragmentos mutilados (só no terreno de Kouyunijik foram descobertos, com as escavações, mais de 20 mil fragmentos de inscrições), as provas aqui citadas são relativamente escassas; no entanto, tal como são, corroboram quase todos os nossos ensinamentos, pelo menos três deles, a saber:
(1.) Que a primeira raça a cair na geração era uma Raça escura (Zamat-Gagadi), chamada Adami ou Raça escura; e que a Raça de Sarku ou Raça clara permaneceu pura por muito tempo depois.
(2.) Que os babilônios reconheciam duas Raças principais na época da Queda, ambas precedidas pela Raça dos Deuses (os Duplos Etéreos dos Pitris). Esta é a opinião de Sir H. Rawlinson. São as nossas segunda e terceira Raças-Raizes.
(3.) que estes deuses, cada um dos quais criou um homem, ou grupo de homens, eram "os Deuses aprisionados ou encarnados". Esses deuses eram: o deus Zi; o deus Ziku (vida nobre, Diretor da pureza); o deus Mirku (coroa nobre), "salvador, da morte, dos deuses (mais tarde) aprisionados" e criador da "raça escura que a sua mão fez"; o deus Libzu, "sábio entre os deuses"; o deus Nissi . . . o deus Suhhab; e Hea ou Sa, a síntese de todos, o deus da sabedoria e das Profundezas, identificado com Oannes-Dagon na época da queda e chamado (coletivamente), o Demiurgo ou Criador (Chaldean Account of Genesis, p. 82).
Há, nos fragmentos babilônicos duas chamadas "criações" e, por ter os Gênesis aderido a isto, vemos que os deuses dos dois primeiros capítulos se diferenciam em Criação Eloísta e Criação Jeovista. A ordem correta não foi, porém observada neste como nos demais relatos exotéricos. Bem, as duas "Criações", segundo os Ensinamentos ocultos, se referem respectivamente à formação dos sete homens primordiais pelos progenitores (os Pitris ou Elohim): e à formação dos grupos humanos depois da queda.
* Ver Plínio, cap. 12; Estrabão, cap. 12; Heródoto, 7, cap. 108; Pausânias, 7, cap. 4, etc.
D S Vol II, p. 5



A Doutrina Secreta
Tudo isso será examinado à luz da Ciência e de comparações entre as Escrituras de todas as nações antigas, inclusive a Bíblia, à medida que prosseguimos. Enquanto isso, antes de tratar daAntropogênese das Raças pré-históricas, convém chegarmos a um acordo quanto aos nomes a serem dados aos continentes em que nasceram, viveram e morreram as quatro grandes Raças que precederam a nossa Raça Adâmica. Seus nomes arcaicos e esotéricos eram muitos e variavam segundo a língua falada pela nação que os mencionava em seus anais e escrituras. Por exemplo, a região que no Vendidad é designada pelo nome de Airyanem Vaego (Chaldean Account of Genesis, p. 82) e onde nasceu o Zoroastro* original é chamada, na literatura purânica, "Sveta-Dwipa", "Monte Meru", a mansão de Vishnu, etc., etc.; e na Doutrina Secreta, simplesmente, a "terra dos deuses" e seus chefes, dos "Espíritos desse Planeta".
Portanto, em vista da possível e até mesmo provável confusão que possa surgir, considera-se mais conveniente adotar, para cada um dos quatro continentes constantemente aludidos, um nome mais familiar ao leitor culto:-
I. "A Terra Sagrada e Imperecível"

As razões para este nome são explicadas como se segue: esta Terra Sagrada, da qual se dará mais detalhes mais tarde, se diz que nunca participou do destino dos outros Continentes; por ser a única cujo destino é durar desde o começo até o fim do Manvantara, passando por todas as Rondas. É o berço do primeiro homem e a morada do último mortal divino, escolhido como um Sishta para ser a futura semente da Humanidade. Muito pouco se pode dizer sobre essa terra misteriosa e sagrada, exceto, talvez, na poética expressão de um dos Comentários, que "a estrela Polar mantém sobre ela o seu vigilante olhar, desde a aurora até o fim do crepúsculo de ‘um dia’ do Grande Sopro"ƒ.

* Por "original" queremos significar o "Amshaspend" chamado "Zaratustra, o senhor e diretor do Vara feito por Yima naquela terra". Houve vários Zaratustras ou Zertusts; só o Dabistan enumera treze; mas eram todos reencarnações do primeiro. O último Zoroastro foi o fundador do templo do Fogo de Azareksh e o escritor das obras da primitiva religião sagrada de Magia destruídas por Alexandre.

ƒ Chamado, na Índia, "o Dia de Brahma".

D S Vol. II, p. 6



Hiperbóreo e Lemúria

II. O "Hiperbóreo" será o nome escolhido para o Segundo Continente, a terra que estendia seus promontórios ao Sul e ao Oeste a partir do Pólo Norte, para receber a Segunda Raça e que abrangia tudo o que hoje se conhece como Ásia do Norte. Foi o nome dado pelos gregos mais antigos à longínqua e misteriosa região para onde sua tradição fez Apolo, o Hiperbóreo, viajar todos os anos. Astronomicamente, Apolo é, sem dúvida, o Sol que, abandonando os seus santuários helênicos, amava visitar anualmente o seu longínquo país, onde se dizia que o sol nunca se punha durante a metade do ano. ,((LH (D <L6J`H J, 6" ´:"J`H ,ÆF4 6X8,LN@4, diz um verso da Odisséia (X, 86).

Mas historicamente, ou melhor, talvez etnológica e geologicamente, o significado seja diferente. A terra dos hiperbóreos, o país que se estendia além de Bóreas, o deus de coração gelado das neves e dos furacões, que gostava de dormir pesadamente sobre as cordilheiras dos Montes Rifeus, não era um país ideal, como supõem os mitólogos, nem mesmo uma terra nas vizinhanças da Cítia e do Danúbio.* Era um Continente real, uma terra bona fide, que não conhecia o inverno naqueles tempos primitivos e cujos tristes remanescentes não têm, ainda hoje, mais que um dia e uma noite durante o ano. As sombras da noite nunca desciam sobre ela, diziam os gregos; porque é a "terra dos Deuses", a morada favorita de Apolo, o deus da luz e seus habitantes são seus amados sacerdotes e servidores. Isto pode ser considerado uma ficção poética hoje; mas naqueles tempos, era uma verdade poetizada.
III. O terceiro Continente, propomos chamar "Lemúria". Este nome é uma invenção ou uma idéia do Sr. P. L. Sclater, que, entre 1850 e 1860, confirmou, apoiado em provas geológicas, a existência real, em tempos pré-históricos, de um Continente que, conforme demonstrou, se estendia de Madagascar ao Ceilão e a Sumatra. Incluía algumas partes do que é hoje a África; com exceção desta, porém, o gigantesco Continente, que ia do Oceano Índico à Austrália, desapareceu por completo sob as águas do Pacífico, deixando ver aqui e ali somente alguns topos de seus montes mais elevados, que são ilhas atualmente. O naturalista Sr. A. R. Wallace amplia a Austrália dos períodos terciários à Nova Guiné e às Ilhas Salomão e, talvez a Fiji e, de seus tipos marsupiais, ele infere "uma conexão com o continente do Norte durante a
* Volcker, "Mythological Geografphy", pp. 145 a 170.
D S Vol II, p. 7



A Doutrina Secreta

era secundária.", escreve o Sr. C. Gould em Mythical Monsters, p. 47. Essa questão será examinada mais detalhadamente em outra parte.*
IV. Atlântida é o Quarto Continente. Seria a primeira terra histórica, se se prestasse mais atenção à tradição dos antigos do que se prestou até agora. A famosa ilha de Platão não passava de um fragmento desse grande Continente (Ver Esoteric Buddhism).

V. O Quinto Continente era a América; mas como ele está situado nos Antipodes, é a Europa e a Ásia Menor, quase coevas com a América, que são geralmente mencionadas pelos ocultistas indo-arianos como o quinto. Se nos ensinamentos deles seguisse o aparecimento dos Continentes em sua ordem geológica e geográfica, esta classificação teria que ser alterada. Mas como a seqüência dos Continentes é descrita de modo a seguir a ordem de evolução das Raças, da primeira à quinta, nossa raça-Raiz ariana, a Europa deve ser chamada de o quinto grande Continente. A Doutrina Secreta não leva em consideração ilhas e penínsulas, nem segue a distribuição moderna de terra e mar. Desde os tempos de seus antigos ensinamentos e da destruição da grande Atlântida, a face da terra mudou mais de uma vez. Houve um tempo em que o delta do Egito e o Norte da África pertenciam à Europa, antes da formação do Estreito de Gibraltar e uma elevação do continente que aconteceu mais tarde mudou inteiramente a face do mapa da Europa. A última mudança séria ocorreu alguns 12 mil anos atrásf

* Convém, porém, observar que o Sr. Wallace não aceita a idéia do Sr. Sclater e até se opõe a ela. O Sr. Sclater supõe uma terra ou continente que unia a África, Madagascar e a Índia (mas não a Austrália e a Índia); o Sr. A. R. Wallace demonstra, em suas "Geographical Distribution of Animals" e "Island Life" que a hipótese de semelhante terra, com base em supostos fundamentos zoológicos, não tem razão de ser. Admite, no entanto, que devia existir uma proximidade muito maior entre a Índia e a Austrália em época tão remota, que era "seguramente pré-terciária " e acrescenta, em uma carta particular, que "nenhum nome foi dado a esta suposta terra". Entretanto, ela existiu realmente e era sem dúvida, "pré-terciária" (se adotado este nome para o terceiro Continente), pereceu antes do completo desenvolvimento da Atlântida e esta submergiu, desaparecendo suas partes principais antes do fim do Período Mioceno.

f Outra "coincidência" –

" Agora está provado que em tempos geologicamente recentes, esta região do Norte da África era, de fato, uma península da Espanha e que sua união com a África (propriamente) foi efetuada no Norte pela ruptura de Gibraltar e, no Sul, por uma elevação à qual o Saara deve sua existência. As praias desse mar anterior que hoje é o Saara ainda estão marcadas pelas conchas do mesmo Gastropoda que vive nas praias do Mediterrâneo." (Prof. Oscas Schmidt, "Doctrine of Descent and Darwinism", p. 244).
D S Vol. II, p. 8



Gigantes Pré-terciários

e foi seguida pela submersão da pequena ilha Atlante de Platão, que ele chamava de Atlântida, devido ao continente originador. A geografia era parte dos mistérios, nos tempos de antigamente. Diz o Zohar (iii, fol. 10ª): "Estes segredos (da terra e do mar) foram divulgados aos homens da ciência secreta, mas não aos geógrafos."

A afirmação de que o homem físico foi, originalmente, um gigante pré-terciário colossal e que ele existia há 18 milhões de anos atrás deve, com certeza, parecer absurda aos crentes e admiradores do conhecimento moderno. Toda a posse comitatus dos biólogos rejeitará a concepção de que essa terceira raça titânica da era secundária, um ser equipado para lutar com sucesso com os monstros gigantes do ar, mar e terra, como os seus antepassados – o protótipo etéreo dos Atlantes – tinha pouco a temer aqueles que poderiam feri-lo. O antropólogo moderno é bem-vindo quando ri de nossos Titãs, como ele ri do Adão Bíblico e como o teólogo ri de seu ancestral pitecóide. Os ocultistas e seus severos críticos podem sentir que agora, mutuamente, ajustaram as suas contas. As ciências ocultas afirmam menos e dão mais, em todo caso, do que a Antropologia darwiniana ou a Teologia bíblica.
Nem a Cronologia esotérica deveria assustar ninguém; porque, com relação aos números, as maiores autoridades de hoje são tão volúveis e incertas quanto a onda mediterrânea. Apenas com relação à duração dos períodos geológicos, os homens eruditos da Sociedade Real estão desperançadamente à deriva, pulando de um milhão para quinhentos milhões de anos com a maior facilidade, como se verá mais de uma vez durante esta comparação.

Tomando um exemplo para nossos propósitos presentes – os cálculos do Sr. Croll. Se, de acordo com esta autoridade, 2.500.000 de anos representam o tempo desde o começo da era terciária, ou período eoceno, como um geólogo americano diz que ele disse*; ou se, também, o Sr Croll "aceita quinze milhões de anos desde o começo do período eoceno", como foi citado por um geólogo inglêsf , ambos conjuntos de números cobrem as afirmações

* A. Winchell, Professor de Geologia, "World-Life", p. 369.

f Sr. Charles Gould, falecido pesquisador da Tasmânia, em "Mythical Monsters", p. 84.

D S Vol. II, p. 9



A Doutrina Secreta
feitas pela Doutrina Secreta*. Porque, atribuindo, como esta faz, de quatro a cinco milhões de anos entre a evolução incipiente e a final da Quarta Raça-Raiz, no Continente Lêmuro-Atlante; um milhão de anos para a Quinta ou Raça Ariana, até a presente data; e aproximadamente 850.000 anos desde a submersão da última grande península da grande Atlântida – tudo isso pode facilmente ter acontecido num espaço de 15 milhões de anos concedidos pelo Sr. Croll à Era Terciária. Mas cronologicamente falando, a duração do período é de importância secundária, uma vez que temos, afinal, certos cientistas americanos que recuam ainda mais. Esses cavalheiros, insensíveis ao fato de que suas asserções não são apenas dúbias mas absurdas, mantêm que o homem existiu na Era Secundária. Eles encontraram pegadas humanas nas rochas de todo tipo de formação; e, além disso, M. de Quatrefages não encontra nenhuma razão científica do porquê o homem não tivesse existido durante a Era Secundária.
As "Idades" e períodos em Geologia são, na verdade, termos puramente convencionais, uma vez que eles ainda estão meramente delineados e, além disso,
* Sir Charles Lyell, a quem se credita ter "felizmente inventado os termos Eoceno, Mioceno e Plioceno" para designarem as três divisões da era terciária, deveria realmente ter estabelecido um período apropriado para o seu "Nascido da mente". Entretanto, tendo deixado a duração desses períodos para a especulações dos especialistas, esse feliz pensamento resultou na maior confusão e perplexidade. Parece uma tarefa sem esperança citar uma conjunto de números de um trabalho, sem o risco de encontrá-lo contradito pelo mesmo autor em um volume anterior ou subseqüente. Sir. W. Thomson, um dos mais eminentes entre as autoridades modernas mudou, quase meia dúzia de vezes, sua opinião sobre a idade do Sol e data da consolidação da crosta da Terra. Em "Natural Philosophy", são dados somente dez milhões de anos desde o tempo em que a temperatura da terra permitiu que a vida vegetal aparecesse sobre ela; (App. D et seq.também,Trans. Roy. Soc. Edin. xxiii, Pt.1, 15, 1862, onde 847 está cancelado). O sr. Darwin diz que a estimativa de Sir. W. Thomson (Nat. Phil.) é de "um mínimo 98 e máximo 200 milhões de anos desde a consolidação da crosta" (Ver Ch. Gould). No mesmo trabalho (Nat. Phil), 80 milhões desde a época da incrustação incipiente até o estado atual do mundo. E em sua última palestra, como mostrado em outro lugar, Sir W. Thomson declara (1887) que o Sol não é mais velho do que 15 milhões de anos! Enquanto isso, baseando seus argumentos nos limites do calor do sol, em números previamente estabelecidos por Sir Thomson, o Sr. Croll estabelece 60 milhões de anos desde o começo do período cambriano. Isto é para, certamente, os amantes do conhecimento exato. Assim, qualquer que sejam as cifras dadas pela Ciência oculta, elas certamente serão corroboradas pelas de alguém entre os homens modernos de Ciência que são considerados autoridades.
D S Vol. II, p. 10



Os Trópicos no Pólo

não há dois geólogos ou naturalistas que concordam sobre os números. Assim, ao ocultista, é oferecida uma larga margem de escolha pela fraternidade erudita. E se tomássemos como nosso apoiador o Sr. T. Mellard Reade? Este cavalheiro, num artigo sobre "A Pedra Calcária como Índice do Tempo Geológico", que ele leu em 1878 diante da Sociedade Real, afirma que o temponinimum necessário para a formação da strata sedimentar e a eliminação da matéria calcária, em números redondos, é de 600 milhões de anos (Ver "Proceedings of Royal Society",Londres, vol. XXVIII. P. 281); ou devemos buscar apoio para nossa cronologia no trabalho do Sr. Darwin, onde ele atribui para as transformações orgânicas, conforme sua teoria, entre 300 e 500 milhões de anos? Sir C. Lyell e Prof. Houghton estavam satisfeitos colocando o início da Era Cambriana em 200 e 240 milhões de anos atrás, respectivamente. Geólogos e zoólogos afirmam um tempo máximo, embora o Sr. Huxley, ao mesmo tempo, coloca o inicio da incrustação da terra 1.000 milhões de anos atrás e não desistiria nem um só milênio destes.


Mas nosso principal ponto não reside na concordância ou discordância entre os naturalistas quanto à duração dos períodos geológicos, mas em sua perfeita concordância quanto a um ponto, para nossa surpresa, e um ponto muito importante. Todos eles concordam que, durante o "Período Mioceno" – seja 1 ou dez milhões de anos atrás – a Groenlândia e até Spitzbergen, os restos de nosso Segundo Continente ou Hiperbóreo, " tinha um clima quase tropical." Ora, os gregos pré-homéricos preservaram uma vívida tradição desta "Terra do Sol Eterno", para onde seu Apolo viajava anualmente. "Durante o Período Mioceno, a Groenlândia (in N. Lat. 70°), desenvolveu uma abundância de árvores tais como o teixo, a árvore vermelha, a sequóia, junto com espécies da Califórnia, a faia, o plátano, o salgueiro, carvalhos, o álamo e nogueira, bem como a magnólia e a zâmia" diz a Ciência; em resumo, a Groenlândia tinha plantas do Sul desconhecidas nas regiões do Norte.


E então, surge uma pergunta natural. Se os gregos sabiam, nos tempos de Homero, de uma terra hiperbórea, isto é, uma terra abençoada além do alcance de Bóreas, o deus do inverno e do furacão, uma região ideal que os gregos posteriores e seus clássicos em vão tentaram localizar, procurando por ela além da Cítia, um país onde as noites eram curtas e os dias, longos, e além dessa terra um país onde o sol nunca se punha e a palmeira crescia livremente – se eles sabiam de tudo isso, quem contou a eles?

D S Vol. II, p. 11



A Doutrina Secreta
Nos seus dias e por eras do passado, a Groenlândia deve ter sido, certamente, coberta com neves perpétuas, de gelo que nunca derrete, justamente como agora. Tudo tende a mostrar que a terra de noites curtas e dias longas era a Noruega ou a Escandinávia, além das quais estava a abençoada terra de eterna luz e verão; e para se saber isso, sua tradição deve ter chegado aos gregos por algum povo mais antigo que eles, que estavam familiarizados com os detalhes climáticos, dos quais os gregos não podiam saber nada. Mesmo em nossa época, a ciência suspeita de que há além dos mares polares, no exato círculo do Pólo Ártico, a existência de um mar que nunca congela e um continente que é sempre verde. Os ensinamentos arcaicos, e da mesma forma, os Purânas – para aquele que entende as alegorias deste último – contêm as mesmas afirmações. É suficiente, então, para nós, a forte probabilidade de que um povo, agora desconhecido da história, viveu durante o período mioceno da ciência moderna num tempo em que Groenlândia era uma terra quase tropical.
DS Vol II, p. 12


O Divino Pimandro
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