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quarta-feira, janeiro 27, 2010

VESTIDA DE LUZ - Por Anna Müller


 Vestida de Luz
©Anna Müller
  
E depois da vastidão que cobriu
o denso céu do negro tom das minhas dores,
hoje sinto a paz em minha alma,
sinto os clarins dos anjos a
clamar pelo celeste azul das estrelas.
A lua traz consigo o radiante brilho
que guia o meu coração até a verdade...
Os cometas o futuro de quem espera
com a esperança nas mãos ainda trementes.
O sol que emana tanta força cósmica,
nos revigora pelos poros, o sangue
que um dia corria gélido e fraco...
dá a vida no corpo já quase fenecido.
Hoje, sinto-me vestida de luz, a caminhar
sobre um mar de vida, de amor, de esperança
sobrecarregada de um sonho que de luz
me faz esperar.


Nota: Guardamos algumas coisas tão boas de serem lidas e relidas, fragmentos de nossas vidas virtuais!

terça-feira, novembro 24, 2009

Ah, Perante - Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)


Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,

Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,

quarta-feira, outubro 28, 2009

A MAIOR SOLIDÃO ... (Vinícius de Moraes)

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.