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segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Ibama libera licença para Belo Monte com 40 condições


Como cidadã brasileira, acredito que assim como eu, outros tantos brasileiros, em pleno exercício da democracia também gostariam de verem respondidas as questões que afligem os povos indígenas, nossos irmãos mais velhos, a quem devemos todo nosso respeito e consideração, tão brasileiros como todos nós, fizeram através de uma carta (leia a carta) que partiu da Aldeia Piaraçu em 01 de novembro de 2009, dirigida ao Sr. Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, com cópia aos Ilustríssimos Senhores: 
Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão
Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc
Ministro da Justiça, Tarso Genro
Presidente da Fundação Nacional do Índio, Marcio Augusto Meira
Presidente do Ibama, Roberto Messias
Procurador da República do Ministério Público Federal, Rodrigo T. da Costa e Silva
É muito triste ver a dor e o clamor de um povo que está na iminência de perderem seu Espaço Sagrado junto a natureza. Eles percebem em seu íntimo que não haverá um futuro, pois que já estão de luto pela morte anunciada da sua Terra, da sua Cultura, do seu Povo! 
Mais uma vez a história se repete, não aprendemos quase nada com nossos erros do passado. Vamos pelos mesmos caminhos, usando como açoite a indiferença o descaso e alterando a rotina, a cultura, meios de sobrevivência, sem que ninguém lhes diga como será o futuro, o futuro de suas crianças que igualmente é o futuro das nossas crianças brasileiras.
Estes povos até então nunca pediram nada a não ser o direito de usufruir da Mãe Terra da forma como Deus lhes entregou.
Os fenômenos climáticos que abatem o Brasil de Norte a Sul se intensificarão e todos sabemos que já de saída na construção de uma hidrelétrica os impactos ambientais são de extrema importância. No entanto, nas atuais circunstâncias climáticas, não somente os povos indígenas, a população ribeirinha, o meio ambiente da região e seu eco sistema sofrerão, mas o país e o planeta também como um todo!
No meu entendimento o Aquecimento Global é um fenômeno climático irreversível, deveríamos estar atentos às medidas e pesquisas que nós dessem condições de adaptação aos novos desafios de sobrevivência e até quem sabe esta adaptação aponte para um modo de vida tão simples quanto a de nossos irmãos indígenas. Ao contrário disto, em nome do "desenvolvimento", vamos mexer mais uma vez na "mãe terra" e certamente pagaremos todos nós um preço muito alto por tudo isto.

Não havia, nem há demônios interferindo neste projeto, há sim a força de uma  sabedoria que por uma lógica muito superior "conspira com todo o Universo".   
"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor"(Goethe)
Quem sabe tantos impedimentos, tantas polêmicas nos está dando ainda a  oportunidade de buscarmos o entendimento e alternativas mais respeitosas e humanitárias ao longo deste caminho (20 anos de polêmica). 
Não deveríamos perder esta grande oportunidade de fazermos aqui dentro do Brasil o grande papel que o Brasil tem feito em auxílio humanitário a outros povos e que nos dá tanto orgulho de sermos Brasileiros!
É uma questão de sentar e conversar, reverenciar o Deus que habita dentro de cada um de nós e fazermos o melhor para o bem de todos!
O futuro nos responderá certamente e que Deus nos ajude!
(Vera M.R.Boff)


Clique aqui para ver o infográfico


Fonte: 01/02 - 17:26 - iG São Paulo

Conforme antecipou o iG, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou nesta segunda-feira a liberação da licença ambiental prévia para o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. No documento, o órgão ambiental lista 40 condicionantes que terão que ser atendidas pelos futuros empreendedores para que a obra seja autorizada.

Belo Monte terá contrapartida mínima de R$ 1,5 bilhão, diz Minc
País vai finalmente construir a 3ª maior hidrelétrica do mundo
Construção de Belo Monte mobiliza população de Altamira 
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que, junto com o combate ao desmatamento na Amazônia, o licenciamento ambiental de Belo Monte era um dos grandes desafios de sua gestão. “Belo Monte tem simbolismo muito forte, é a maior obra do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], a mais polêmica, é a terceira hidrelétrica do mundo, gera polêmica há mais de 20 anos”, avaliou.
Maior empreendimento energético do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Belo Monte terá potência instalada de 11 mil megawatts, a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, que tem 14 mil megawatts.

Hoje, Minc lembrou o histórico polêmico do licenciamento da hidrelétrica, que chegou a ser suspenso pela Justiça e reconheceu que a área foi alvo de pressões do setor energético e de ambientalistas.

“Tem pressões e contra-pressões, faz parte da democracia. O Messias fica imprensado com flechas sorrateiras de todos os lados: ou para fazer de qualquer jeito que está ou para não fazer de jeito nenhum”, disse.

A pressão para autorizar as obras de Belo Monte desencadeou a saída do diretor de Licenciamento do Ibama, Sebastião Custódio Pires e do coordenador-geral de Infraestrutura de Energia do instituto, Leozildo Tabajara.

A construção da barragem, prevista desde a década de 1970, é alvo de críticas de comunidades tradicionais, lideranças indígenas e organizações ambientalistas.

A emissão da licença prévia autoriza o Ministério de Minas e Energia a marcar a data do leilão da usina, que será realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, chegou a dizer que estava “mendigando” a licença para a área ambiental.

A Empresa de Pesquisas Energética (EPE) estima o custo do empreendimento em pelo menos R$ 16 bilhões. O governo deverá ter participação em todos os consórcios que participem do leilão. Até agora, três das maiores empreiteiras do país demonstraram interesse em construir Belo Monte: Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez.

A licença prévia é a primeira das três licenças que fazem parte do processo de licenciamento ambiental. Se cumpridas as condicionantes, a próxima etapa é a licença de operação, que autoriza o início das obras. A última, a de operação, autoriza o funcionamento do empreendimento.

*com informações da Agência Estado e Agência Brasil

Y Ikatu Xingu - Salve a Água Boa do Xingu

Mini-documentário com Gisele Bündchen no Parque Indígena do Xingu. A modelo conversa com alguns dos responsáveis e envolvidos na campanha "Y Ikatu Xingu - Salve a Água Boa do Xingu".




Filme - Povos do Xingu contra a construção de Belo Monte

Cenas gravadas na Aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto/Jarina, entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro de 2009. Nesse período, os ministros do Meio Ambiente e Minas e Energia foram convidados a ir ao Xingu para discutir os impactos da obra de construção da usina de Belo Monte na região. Se concretizado, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e vai causar impacto mais de 9 milhões de hectares de floresta, uma área equivalente a duas vezes a cidade do Rio.




domingo, janeiro 31, 2010

Carta dos povos indígenas ao presidente Lula contra Belo Monte





Rio Xingu: um cenário de rara beleza /PEDRO MARTINELLI-ISA


Aldeia Piaraçu, 01 de novembro de 2009

Ao Exmo Sr. Presidente da República
Luis Inácio Lula da Silva

Com cópia para:
Ilmo Sr. Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão
Ilmo Sr. Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc
Ilmo Sr. Ministro da Justiça, Tarso Genro
Ilmo Sr. Presidente da Fundação Nacional do Índio, Marcio Augusto Meira
Ilmo Sr. Presidente do Ibama, Roberto Messias
Ilmo Sr. Procurador da República do Ministério Público Federal, Rodrigo T. da Costa e Silva

Ngô Beiê Ket Kumrem Kadjy

Exmo Sr. Presidente da República
Luis Inácio Lula da Silva

Nós, 212 lideranças dos povos indígenas Mebengôkre (Kayapó), Xavante, Yudjá (Juruna), Kawaiwete (kaiabi), KisêdjÇe (Suiá), Kamaiurá, Kuikuro, Ikpeng, Panará, Nafukua, Tapayuna, Yawalapiti, Waurá, Mehinaku e Trumai, habitantes da bacia do rio Xingu e das regiões circunvizinhas, reunidos numa assembléia na aldeia Piaraçu (TI Capoto/ Jarina) desde o dia 28/10/2009, não aceitamos a construção de Belo Monte e de qualquer Hidrelétrica na Bacia do Rio Xingu.

Chefe Seattle - A Carta do Índio



Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinquenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:
"Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão? A idéia não tem sentido para nós.
Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho. 

        Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.

    Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.

    A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais.

    Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão.

    Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.

    Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender.

Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

    O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.

    O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.

    Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

    Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

    Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento.

    Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.

    Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.

    Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.

    O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

    Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos.

    Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.

    Podeis pensar hoje que somente vós o possuis, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.

    Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.

    Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.

    Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver."

Fotos sobre "Belo Monte "

As fotos abaixo são de Dida Sampaio/Agência Estado
Vista aérea de Altamira (PA), proximo a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu

Uma pequena embarcação navega pela águas do local previsto para construção da usina


A usina hidrelétrica de Belo Monte faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Obra envolve a construção de um desvio no curso do Rio Xingu e pode custar até R$ 30 bilhões.

Aldeia dos indios Araras, localidade que deve sofrer com a baixa do rio após a construção da usina

Pequeno macaco prego que foi adotado por uma porca queixada na aldeia dos índios da etnia Arara

Iracema deve sofrer consequências após construção da usina hidrelétrica de Belo Monte

Biguatinga pesca no Rio Xingu, no Pará

Pequeno índio da tribo Araras carrega jabota nos ombros


Índios da etnia Arara exibem peixes que foram pescados no Xingu, onde será construída a usina


Garimpo de ouro da grota seca, na ilha da ressaca, perto de onde será construída Belo Monte

Índio da etnia Arara da aldeia dos maias, que fica à beira do Rio Xingu

sábado, janeiro 30, 2010

Licença para Belo Monte deve sair na segunda-feira

AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - O Ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, deve anunciar na segunda-feira a liberação da licença ambiental prévia da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Segundo fonte do setor, que preferiu não ser identificada, está marcada para as 16 horas de segunda-feira uma reunião na qual o ministro deve anunciar a liberação da licença. Diante disso, o Ministério de Minas e Energia já trabalha com hipótese de realizar a licitação em abril.
Vista aérea de Altamira (PA), proximo a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, 
no Rio Xingu -Clique na imagem para ampliar.
A falta da licença levou ao adiamento da licitação, que estava marcada para dezembro de 2009. Agora, o ministério terá condições de liberar o edital, assim como divulgar o preço-teto para a disputa. Hoje, a expectativa é que o projeto entre em operação em 2015.
De acordo a fonte, uma das principais novidades da licença diz respeito às ações de mitigação dos impactos socioambientais da usina. Tradicionalmente, a elaboração dos programas de mitigação pelos investidores ocorre durante a fase de formulação do Projeto Básico Ambiental (PBA), na etapa de obtenção da licença de instalação. "Para Belo Monte, porém, o Ibama antecipou esse processo, exigindo a definição dessas ações na etapa de obtenção da licença prévia", explicou.

O Brasil não precisa de Belo Monte Por Célio Bermann em 10/04/2002

Fonte: Amazonia.org.br 

A Bacia Hidrográfica do Rio Xingu está correndo o risco de se tornar uma jazida de megavates cara e inútil, social e ambientalmente insustentável.
A insistência com que, atualmente, a empresa Eletronorte procura viabilizar o projeto da Usina de Belo Monte é uma evidência deste risco. Localizado no rio Xingu, o projeto com 11.182 MW faz parte de um complexo que envolve outras quatro usinas: Altamira (6.588 MW), Ipixuna (1.900 MW), Kakraimoro (1.490 MW) e Jarina (620 MW). Mais de 20 etnias indígenas vivem no rio Xingu.

Como funcionam as usinas hidrelétricas





Impactos ambientais na construção de hidrelétricas

Os impactos ambientais das usinas hidrelétricas é motivo de polêmica nas discussões atuais sobre desenvolvimento sustentável. Como praticamente qualquer atividade econômica, as hidrelétricas causam impactos negativos ao ambiente. A grande questão dos cientistas é saber qual a real dimensão do impacto e como eles podem ser amenizados, já que, dentro das fontes energéticas atuais, as hidrelétricas são consideradas fontes de energia renovável, ao contrário das fontes energéticas à base de combustíveis fósseis, por exemplo.
Os primeiros impactos ambientais acontecem durante a construção das hidrelétricas. Como já foi visto, para que a usina funcione é necessário um reservatório. Sua construção acaba afetando consideravelmente a fauna e flora local. De uma hora para outra, a floresta vira lago. Essa mudança, se não for bem orientada, pode acabar com a flora local. Além do corte das árvores, muitas espécies acabam submersas e, conseqüentemente, morrem, criando uma espécie de limbo. Essa flora, em alguns casos,  chega a atrapalhar o próprio funcionamento das turbinas no primeiro momento, obrigando a limpezas sistemáticas das mesmas.

Como funciona a energia eólica

História da energia eólica
Já há quatro milênios as pessoas usavam a energia eólica na forma de barcos à vela no Egito. As velas capturavam a energia no vento para empurrar um barco ao longo da água. Os primeiros moinhos de vento, usados para moer grãos, surgiram entre 2 mil a.C., na antiga Babilônia, e 200 a.C. na antiga Pérsia, dependendo de para quem se pergunta. Estes primeiros dispositivos consistiam em uma ou mais vigas de madeira montadas verticalmente, e em cuja base havia uma pedra de rebolo fixada ao eixo rotativo que girava com o vento. O conceito de se usar a energia do vento para moer grãos se espalhou rapidamente ao longo do Oriente Médio e foi largamente utilizado antes que o primeiro moinho de vento aparecesse na Europa. No início do século XI d.C., os cruzados europeus levaram o conceito para casa e surgiu o moinho de vento do tipo holandês com o qual estamos familiarizados.

Índios e agricultores temem construção de hidrelétrica no Pará

Se construída, Belo Monte deve inundar 1.241 propriedades rurais. 
Ibama deve conceder licença prévia para a obra em fevereiro.
Do Globo Amazônia, com informações do Globo Rural (28/01/10
A Usina de Belo Monte, no Pará, se construída, será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a segunda maior do Brasil, atrás apenas de Itaipu.
Ela ainda aguarda licença prévia ambiental do Ibama para sair do papel, mas já vem gerando polêmica há três décadas.


A usina terá dois reservatórios no Rio Xingu: a barragem principal ficará próxima de Altamira, de onde deverão sair canais que serão construídos para abastecer um segundo reservatório rio abaixo, numa área que pertence ao município de Vitória do Xingu. 
Os estudos de impacto ambiental mostram que os dois reservatórios de Belo Monte devem provocar inundação total ou parcial de pelo menos 1.241 propriedades rurais, onde vivem quase 3 mil agricultores. O levantamento também indica que em 78% desses imóveis são desenvolvidas atividades ligadas à agricultura familiar e à pecuária bovina.
As famílias atingidas terão que ser reassentadas em outras áreas e devem receber indenização pelas benfeitorias. O agricultor João Pereira se enquadra nesse caso. Toda semana, ele leva para a feira de Altamira as frutas e legumes que produz na roça. Agora, tem receio de perder tudo o que construiu em 25 anos de trabalho. 
“Nós vivemos desses produtos. Se formos ser tirados para outro lado, não sei para onde vamos e não sei como vamos sobreviver. É para isso que queremos uma solução”, diz. 
A construção de Belo Monte poderá custar até R$ 30 bilhões. Em dez anos, deve gerar de 18 a 20 mil empregos diretos. Ainda assim, o projeto desperta polêmica há quase três décadas. Além dos agricultores, as críticas vêm de comerciantes e representantes dos movimentos sociais.
“Eu não queria que esse governo entrasse na história como um governo que arrasou a área do Xingu, que arrasou com esses povos e não colocou alternativas para que esses povos possam sobreviver”, falou dom Erwin Krautler, presidente do Conselho Indigenista Missionário. 
  
Índios
As comunidades indígenas também se mostram resistentes ao projeto. Um grupo de caciques foi a Brasília contestar a construção da hidrelétrica. “Isso já custou 20 anos da nossa história de trabalho e de sofrimento. Nós não estamos mais dispostos a fazer mais essa brincadeira de gato e rato do governo federal. Ou ele respeita nossos povos indígenas ou os povos indígenas, que já declararam guerra contra Belo Monte e é isso que vai acontecer no futuro se o povo insistir em implantar Belo Monte na nossa região”, avisou Luís Xipaia, cacique e presidente do Conselho Indígena de Altamira.

Desenvolvimento
Do outro lado estão os políticos e empresários que defendem a usina como uma grande oportunidade de desenvolvimento para a região. “Serão alagados 516 km² dessa área que já é a própria calha do Rio Xingu. Mas mesmo assim vai se perder alguma área de floresta e algumas fazendas serão alagadas. Eu acho que essa perda não é tão significativa diante do tamanho do município de Altamira, que é de 159 mil km², onde 96% ainda é de área preservada”, defende Vilmar Soares, coordenador do Fórum de Desenvolvimento da Região da Transamazônica.

Por enquanto, não há previsão para o inicio das obras. O Ibama ainda está examinando os documentos para a concessão da licença prévia. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirma que essa primeira licença vai exigir algumas condições dos construtores.

“A nossa mão vai ser pesada. Os condicionantes ambientais e sociais são de mais de R$ 1 bilhão em saneamento, habitação, escola técnica, adoção de parques, adoção de reservas indígenas. O projeto é importante para o país, mas vai beneficiar muito a população da região, que terá um nível de vida, de saúde e educacional muito melhores do que antes. Mais de R$ 1 bilhão serão cravados na licença como obrigações do empreendedor”, diz Minc. O ministro informa ainda que o Ibama deve conceder a licença prévia para o início da obra no mês de fevereiro.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Para conservar práticas espirituais, aldeia no AM ganha escola de xamanismo

Saber tradicional inclui cura de doenças desconhecidas pela ciência.
Antropólogo conseguiu apoio nos EUA para construção de maloca.
Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo
A influência de culturas externas ameaça a tradição do xamanismo entre os índios. Para tentar salvar os conhecimentos tradicionais dos baniwas, foi criada na aldeia Uapuí, na Terra Indígena Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas, uma escola para que novas gerações aprendam as técnicas de cura espiritual criadas ao longo de séculos por esse povo da floresta. A inauguração aconteceu no final do ano passado.

Mulheres baniwas receberam visitantes com dança para a inauguração da escola de xamanismo na aldeia Uapuí. (Foto: Michel C. Wright/Divulgação)
“É uma escola para revitalização do conhecimento dos índios baniwas”, explica o antropólogo Robin Wright, da Universidade da Flórida, nos EUA, que passou anos procurando patrocínio para o projeto, até conseguir apoio da Fundação para Estudos Xamânicos, sediada na Califórnia. 

Manuel da Silva, o Mandu, xamã da mais alta graduação entre os índios da região, que dirige a escola junto com seu irmão Mário.  (Foto: Michel C. Wright/Divulgação)
Wright conta que a chegada de missionários cristãos à região da Cabeça do Cachorro, onde fica a aldeia Uapuí, levou muitos índios a abandonarem suas crenças tradicionais.

Os pajés, a quem os índios atribuem o poder da cura por meio do mundo espiritual, foram perseguidos e acusados de práticas satânicas. Isso fez com que eles permanecessem somente em aldeias mais isoladas. 

Os xamãs passam anos estudando para conseguir entrar em transe e, segundo acreditam os índios, buscar no mundo dos espíritos a receita de cura de cada doença, que então se dá com ingredientes naturais. “É um sistema de crença que nós não temos”, comenta Wright.