sexta-feira, dezembro 11, 2009

O QUE É RIQUEZA?


Estou aqui no sul do Brasil escutando as previsões meteorológicas alertando-nos para mais tempestades muito fortes que ocorrerão nas regiões sudeste e sul para hoje ainda (sexta-feira (11), e que se estenderão no final de semana.
Para quem está acompanhando ou tentando acompanhar a COP15, através dos (repórteres) enviados especiais àquela conferência, já podemos ter o tom das discussões, que infelizmente centralizam o evento em quem irá lucrar quem irá ficar no prejuízo, quem são os países pobres, emergentes e ricos, etc. Isto tudo já sabemos!
Em meio a tudo isto, se tem observado algumas sugestões e questionamentos sobre o evento por parte da população que tenta acompanhar.
Quanto aos questionamentos, demonstram claramente a falta de informações muito básicas sobre o tema. Porém quanto às sugestões...
Será que multas sobre aqueles que certamente irão continuar poluindo, emitindo CO2, adiantará alguma coisa?

Será que premiar os que estão preservando o meio ambiente e mantendo-se dentro dos limites de emissão de CO2, adiantará alguma coisa?
Não seriam multados e premiados automaticamente através da resposta da própria natureza que irá encontrar o meio próprio de restabelecer seu equilíbrio?
Sabemos que o aquecimento global é um processo cíclico e natural do planeta, porém nossa civilização está acelerando e criando antecipadamente um sofrimento que poderia ser adiado, quem sabe até evitado!
Neste momento tão importante à humanidade ainda não conseguimos pensar diferente sobre a questão, nos dando conta de que premiar ou multar envolve apenas o dinheiro! Necessitamos despertar para uma nova consciência. Não estamos falando de “multas e descontos” sobre questões banais onde a Lei é chamada para moderar onde começa e termina o direito de cada um, pois o direito a vida é de todos nós! A vida tem preço?
Estamos falando agora de um contexto que a meu ver extrapola qualquer possibilidade de penalização ou premiação. O prêmio é a vida, a penalização é a morte! A questão que enfrentamos neste momento supera qualquer Lei que se tente elaborar.
As relações estabelecidas neste momento entre o dinheiro e meio-ambiente, é como querer indenizar o valor da vida humana, cada espécie animal, cada rio, cada floresta, indenizar recursos naturais que se esgotam a cada segundo e que o dinheiro não cobrirá o prejuízo, porque o dinheiro não poderá fabricar ou restituir recursos que são essenciais à vida sobre o planeta! Porque enquanto a mentalidade for baseada sobre os lucros ou prejuízos, mesmo que tenhamos tecnologia e dinheiro para limpar a água poluída, efetuar o reflorestamento etc., o relógio corre contra nós e provavelmente não se tenha tempo para isto. Temos que ter em mente que a natureza opera em um tempo muito amplo e evidentemente diferente do tempo do homem!
Não estou dizendo que o dinheiro não é importante, mas é claro que é! Estou dizendo simplesmente que o dinheiro não pode ser usado neste momento para tentar premiar ou multar as ações que resultem em prejuízo ao meio-ambiente. Essa receita nunca funcionou!
Necessitamos sim de um grande investimento humanitário para incrementar uma nova educação, onde não seja priorizada a competição, onde as tecnologias estejam voltadas à valorização e preservação da vida em um sentido irrestrito!
Estando no deserto há 30 dias com fome e sede, qual é o valor real de milhares de dólares em relação a um litro de água limpa (potável) e um pedaço de pão velho?
Será que teremos ainda que vivenciar uma situação destas para compreender que a aplicação e uso dinheiro nos mesmos padrões até aqui usados já não servem mais?
A humanidade está diante de sua encruzilhada, por um lado a grande possibilidade de redimir-se e dar um grande salto rumo a sua evolução espiritual, através do amor e da paz, de outro lado um salto para o abismo, resultado na crença que deu origem a nossa civilização, baseada em um desenvolvimento cujas “necessidades” foram “inventadas” para um consumo desenfreado e para o lucro de alguns poucos grupos. O ser humano foi capaz de inventar necessidades extras que podemos e devemos abrir mão em favor da vida!
O dinheiro deveria neste momento resultar em ajuda mútua para minimizar o sofrimento de todos nós! O dinheiro deveria neste momento ser utilizado para dar sustento e a manutenção da vida neste planeta, visando às pesquisas e investimento em energias sustentáveis para deixarmos a possibilidade de sobrevivência às próximas gerações.
Tenho ouvido pessoas falando em economia como se fossemos ter tempo para continuarmos sustentando uma civilização que está com seus dias contados! Não há mais espaço para esse capitalismo que aí está! Além dos problemas que devemos enfrentar com o clima, teremos que reinventar o capitalismo com um novo olhar sobre a economia, fundamentando-a em outros valores mais humanitários, onde não se crie mais abismos sociais, guerras e fome.
È no mínimo curioso observarmos o apego que temos ao modelo econômico que aí está. Por exemplo, aqui no sul do Brasil as regiões mais afetadas por ciclones, vendavais, são regiões pobres, onde as pessoas vivem do trabalho no campo, etc., após terem suas casas completamente destruídas continuam mantendo o mesmo tipo de construções, sem se darem conta de que é preciso mudar os projetos, buscando recursos de engenharia que protejam suas vidas. No momento atual não basta apenas ter um teto, é preciso ter um mínimo de segurança! Porém parece que neste momento estamos de olhos vendados, e perdemos inclusive a oportunidade de gerarmos rendimentos, sem precisarmos explorar a população evidentemente, até porque projetos novos de moradias podem ser até mais econômicos e rentáveis para ambos os lados. Imaginem casas com aquecimento solar, com cisternas para recolhimento e aproveitamento da água da chuva e com material de baixo custo que não coloque em risco a vida das pessoas ao serem deslocados pelos ventos. De que adianta uma reconstrução com os mesmos moldes sem qualquer preocupação com o dia seguinte? Os fenômenos climáticos cumprem um ciclo e irão se repetir até o seu final!
Reparem que não necessitamos mais consumir o desnecessário, deveríamos agora consumir visando à vida e a sustentabilidade da natureza para mantermos a vida!
Ao invés de ficarem inventando tecnologias para aparelhos celulares, televisores etc., vamos investir em tecnologias sustentáveis que minimizem o impacto da natureza, veículos menos poluentes, uma agricultura orgânica sem uso de agrotóxicos, o desuso da carne animal em substituição a uma alimentação de folhas e grãos que nos garantirá mais saúde, moradias mais seguras e com recursos tecnológicos sustentáveis.
A população que é a maioria e que é o consumidor pode mudar tudo isto através da busca por um consumo de tecnologias reais e não ilusórias.  Os produtores serão obrigados a mudarem sua produção e seus investimentos para continuarem sobrevivendo no mercado, mas não podemos mais perder tempo! 
As saídas para enfrentarmos as mudanças climáticas estão a nossa disposição, basta que se mude nossa visão diante do verdadeiro valor do dinheiro que deve compensar de forma justa o trabalho de cada um sem nos escravizarmos a ele, mas priorizando a vida da forma mais ampla possível.
Riqueza não é, nem nunca será sinônimo de acúmulos de bens materiais!
A própria natureza está nos dizendo o que fazer.
O próprio problema sempre traz consigo a solução! 

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